A
CRISE
VOLTA
AO
PONTO
DE
PARTIDA
Tradução
: Mário Quilici
Uma
entrevista
feita
por
Ian Young,
com
Michael Ellner e Bud Weiss da HEAL (New York)
“
Pessoas
que
vem
para
os
encontros
da HEAL, percebem
que
suas
jornadas
são
muito
diferentes
“
Bud
Weiss
Na
virada
do
Milênio
, a
administração
médica
tradicional assemelha-se
cada
vez
mais
às
nações
comunistas
nos
seus
últimos
anos
,
ou
aos
dinossauros
nos
dias
anteriores
à
queda
do
cometa
. O
estabelecimento
médico
tornou-se
um
monstro
, uma
besta
desajeitada
cujo
custo
está subindo
por
causa
de
sua
ineficácia
.
Não
obstante
, é uma
besta
com
milhões
de
parasitas
;
para
se
ter
uma
idéia
,
um
sistema
como
esse
usado na
administração
da
AIDS
cria
uma
infinidade
de
empregos
(
em
torno
de 18
milhões
só
,
nos
EUA). Ao
mesmo
tempo
, no
início
do
século
vinte e
um
a
medicina
está lutando
para
emergir
, na pratica e na
política
.
De
todas as
técnicas
atuais
, uma da
mais
fascinantes
é a hipnoterapia
que
surgiu
com
Anton Mesmer no
Século
XVIII.
Agora
,
como
os hipnoterapistas estão aplicando
seus
conhecimentos
não-ortodoxos na
crise
da
AIDS
, algumas de
suas
intrigantes
idéias
estão sendo confirmadas
por
uma
ciência
relativamente
nova
chamada
de psiconeuroimunologia.
O
hipnoterapista
profissional
, Michael Ellner é o
Presidente
da HEAL (
Educação
de
Saúde
Ligada
à
AIDS
) na
cidade
de
Nova
Iorque.
Ele
tem trabalhado
com
pessoas
afetadas
pela
AIDS
desde
os
meados
dos
anos
oitenta. Bud Weiss,
também
da HEAL, é
um
assistente
social
psiquiátrico
com
boa
experiência
em
teatro
.
Eu
conversei
com
eles
em
Manhattan,
logo
depois
de
assistir
uma
reunião
da HEAL no
bairro
de Greenwich Village,
que
foi encerrada
com
"relatos de
melhoras
" obtidos
através
da
hipnose
. Michael começou a
reunião
falando
sobre
as
origens
da HEAL na
época
em
que
a
organização
auxiliava as
pessoas
com
AIDS
com
o
fornecimento
de
refeições
balanceadas e nutritivas.
Michael
Ellner: " A HEAL foi
criada
por
Jim Fouratt,
Gene
Fedorko e
vários
outros
amigos
. Naquele
tempo
,
ninguém
sabia o
que
era
a
AIDS
; havia
muita
superstição
e
medo
.
Vários
colegas
tiveram
GRID
(
um
dos
nomes
iniciais
da
AIDS
) diagnosticada e estavam vendo a
si
próprios
como
sobreviventes de
longo
prazo
e vinham às
reuniões
da HEAL
para
falar
sobre
os
recursos
que
usavam
para
manterem-se
vivos
. Foi a
primeira
vez
que
eu
havia
ouvido
falar
sobre
os sobreviventes.
Isto
despertou
meu
interesse
e
eu
comecei a
falar
com
vários
deles e a
procurar
outras
pessoas
que
pudessem
ajudar
.
Como
um
hipnoterapeuta,
eu
estava
muito
interessado
em
trabalhar
com
uma
doença
catastrófica
como
era
o
caso
da
AIDS
, naqueles
primeiros
tempos
.
Assim
,
eu
quis
estudar
estes
sujeitos
.
Eu
pensei, “ Há
algo
de
especial
com
eles
”.
Eu
tinha
trabalhado
com
Michael Chekhov, do Acting
Estúdio
,
onde
um
dos
sujeitos
havia morrido de
AIDS
. Foi uma
experiência
horrível
.
Ele
morreu
muito
isolado
porque
não
queria
que
a
família
dele soubesse
que
era
gay
.
Isto
me
perturbou
muito
.
Então
, fui
para
o
hospital
para
ver
o
sujeito
."
Michael
compartilhava a
versão
pessoal
dele da
fantasia
de Svengali,
que
logo
se transformou
em
Horizonte
Perdido: "
Ele
era
um
sujeito
realmente
deslumbrante
.
Ele
seria
um
ator
famoso
e
eu
seria o hipnotista dele.
Ele
estava morrendo nesse
período
. Parecia
que
tinha
noventa
anos
.
Era
o
tipo
de
situação
onde
você
diz a
si
mesmo
: Se houver
qualquer
forma
de ajudá-lo
eu
gostaria de encontrá-la. Pensei
que
poderia
ajudar
as
pessoas
a
meditar
e
usar
a
visualização
(uma
forma
comprovada de
cura
).
Talvez
eu
pudesse
ensinar
as
pessoas
a usarem a auto-hipnose.
Assim
,
eu
fui
para
todos
os
lugares
onde
houvessem
grupos
de
pessoas
com
AIDS
, começando
com
a GMHC.
Quando
eu
examinei o
material
deles e escutei o
que
tinham
para
dizer
, comecei a
pensar
que
o
que
eles
faziam
era
mais
prejudicial
do
que
bom
.
Eu
ouvi
coisas
terríveis
! "
Ian
Young: "Foi
por
isto
que
eles
ficaram
contra
o
que
você
tinha
aprendido
em
hipnoterapia? "
Michael:
"
Sim
.
Totalmente
contra
. As
pessoas
eram encorajadas a
acreditar
que
a
sua
doença
era
terminal
.
Isto
os conduzia a
um
comportamento
mais
despreocupado. E os
grupos
de
apoio
,
em
vez
de discutirem o
que
era
bom
, o
que
estava funcionando, ficavam
obcecados
por
sintomas
, o
que
só
dava
vantagem
para
a
hipocondria
. Há
um
grande
número
de
pessoas
envolvidas
com
o
indivíduo
quando
ele
começa
a
apresentar
sintomas
.
Mas
há uma
gama
de
trabalhos
a serem
feitos
, começando
com
o Simontons. Milton Erickson foi,
talvez
,
um
dos hipnoterapistas
mais
importantes
.
Assim
,
eu
fui a
vários
grupos
e nesse
trajeto
,
eu
conheci Michael Callen e Michael Hirsch,
que
estavam começando
recentemente
a
Coalizão
de PWA. E Michael Hirsch
tinha
feito
uma
palestra
no
Centro
Social
Gay
& Lésbico
sobre
como
as
pessoas
não
estavam envolvidas
com
a
questão
do
auxílio
. Na
época
eu
lhes
disse
que
vinha
tentando
oferecer
ajuda
há
mais
de
seis
meses e
tudo
que
eu
havia conseguido foi
ficar
frustrado. Michael Hirsch disse
que
ninguém
por
ali
pensava na
hipnose
porque
na
verdade
,
você
pode
estar
oferecendo
um
vodu
.
Ele
comentou
que
aquelas
pessoas
tinham
medo
de
tudo
e
por
isso
,
eles
não
iriam a
um
hipnólogo. Foi nessa
ocasião
que
ele
me
falou da HEAL.
"
Em
87,
eu
comecei a
ir
às
reuniões
principais
como
voluntário
.
Eles
estavam
muito
ansiosos
com
a
reunião
e
sobre
o
que
ouviriam à
noite
.
Nós
formamos
um
círculo
social
onde
poderíamos
falar
e
dar
informação
num
ambiente
seguro
. A
idéia
das
reuniões
era
a de
promover
um
interrogatório.
Minha
idéia
era
que
, na
medida
em
que
promovêssemos
um
interrogatório, estaríamos promovendo uma
melhora
do
ego
porque
isso
implicaria
em
conscientização.
Depois
de
um
tempo
,
eu
me
tornei o
Diretor
Executivo
do
grupo
.
"O
projeto
de
alimentação
era
um
segmento
separado, provavelmente
nosso
melhor
programa
,
um
programa
extraordinário
. Foi chamado
inicialmente
de HEAL
Cozinha
e
depois
, acabou saindo
fora
da HEAL
como
um
projeto
de
alimentação
com
vida
própria
.
Eu
ficava emocionado de
estar
associado
com
estes
grupos
,
que
proviam as
pessoas
com
comida
conforto
,
porque
isto
tem
muito
valor
para
a
saúde
.
Bud
Weiss: "E
milhares
de
pessoas
morrem
todos
as
anos
por
causa
de
desnutrição
nos
hospitais
só
porque
comem
comidas
que
são
feitas
nas
cozinhas
deles.
Ian:
Como
você
se ligou à HEAL?
Bud
Weiss: "
Como
assistente
social
,
eu
tinha
trabalhado
com
crianças
que
sofriam de
transtornos
de
personalidade
e
com
gangues
de
rua
. Trabalhei
durante
algum
tempo
em
teatro
profissional
e ensinei
psicodrama
.
Eu
estava envolvido
com
a
hipnose
como
diretor
de
seminários
da
Sociedade
Milton Erickson. Nessa
época
conheci Virgínia Satir, uma
mulher
fantástica
e,
através
dela,
me
interessei
pelo
trabalho
com
o
câncer
.
Eventualmente
eu
gastei
algum
tempo
com
Simontons no Texas,
em
um
projeto
baseado
no
trabalho
que
utilizava a
visualização
e
que
, ao
mesmo
tempo
, reconhecia
que
a
agonia
era
um
meio
de
vida
.
Para
Simontons, o
câncer
e
doenças
denominadas
como
“
terminais
” eram
um
modo
de
controlar
o stress da
vida
. O Simontons
tinha
feito
um
estudo
com
cerca
de 140
pacientes
terminais
.
Eles
tinham
doenças
que
não
poderiam deixá-los
viver
mais
que
cinco
anos
.
Assim
,
eles
esperavam
estar
mortos
dentro
desse
período
,
mas
, ao
invés
disso, 70% deles estavam
vivos
e 30%
não
tinham
mais
nenhum
sinal
do
câncer
. O
trabalho
deles consistia
em
curar
as
pessoas
alterando
seus
sistema
de
convicções
.
A
“
doença
terminal
" é
um
modo
legítimo
de se
matar
alguém
. Se o
paciente
puder
ver
isso
claramente
e
começar
a
usar
um
sistema
de
visualização
onde
ele
se
vê
melhorando e voltando à
vida
comum
, contribuindo
com
a
vida
,
ele
pode se
recuperar
. Esta
minha
aprendizagem durou
um
tempo
muito
longo
.
Nós
vivemos num
mundo
que
nos
ensina
a
impotência
diante
da
vida
e
assim
, deixa-nos
fora
dela. Se
nós
tomamos
consciência
disso e passamos a
ter
tais
coisas
de
forma
clara
na
nossa
cabeça
, podemos
fazer
a
diferença
no
mundo
. Os
pacientes
de
câncer
com
os
quais
eu
estava trabalhando eram as
pessoas
velhas e
que
não
estavam
muito
interessadas
em
continuar
a
viver
. Na
verdade
,
eu
estava tendo
que
ajudar
as
famílias
a deixarem-nas
ir
embora
. Foi nesse
momento
que
surgiu a
AIDS
. E
eu
observei o
mesmo
problema
que
tinha
visto
com
o
câncer
!
Eu
pensei, “
Menino
,
aqui
vamos
nós
outra
vez
!”
Eu
sabia
que
alguém
estava fazendo
algo
diferente
com
os
pacientes
de
AIDS
e
eu
tinha
que
encontrá-los.
Quando
eu
fui
para
uma
reunião
da HEAL,
eu
pensei, “Achei!”
Ian:
"A
primeira
pessoa
com
quem
eu
cruzei e
que
tinha
uma
abordagem
diferente
foi Louise L. Hay,
que
trabalha
com
uma
ciência
de
fundo
da
Mente
. Essa
ciência
está
baseada
no
trabalho
de Phineas Quimby
que
começou
como
hipnólogo.
Depois
,
através
de John Lauritsen,
eu
descobri Casper Schmidt
que
era
um
psicanalista
e
também
fazia hipnoterapia."
Bud
Weiss: "
Eu
estava envolvido
com
Werner Erhard e
Marco
.
Quando
eu
trouxe
este
material
para
Marco
, percebi
que
ele
estava
aberto
para
minhas
colocações
porque
me
respeitavam
como
terapeuta
; e
eles
tinham vivenciado a
cura
de
tumores
em
grandes
grupos
terapêuticos
.
Mas
o
problema
é
que
eles
tomavam AZT e “estão
mortos
agora
"
Michael:
"
Eu
passei
um
dia
com
Larry LeShan, o
pai
da
medicina
corpo
/
mente
e apresentei
meu
material
sobre
o
tratamento
para
a
AIDS
a
ele
,
muito
cuidadosamente.
Ele
disse
que
parecia
fazer
sentido
mas
não
faria
nada
sobre
aquele
assunto
porque
ele
se sentia
muito
velho
para
ser
dissidente
e
enfrentar
a “
bucha
”."
Ian:
"
Ele
não
tinha
ouvido
falar
de Bertrand Russell! "
Michael:
"
Eu
me
tornei
Presidente
da HEAL
em
1992 e fiz
com
que
ela
tomasse uma
nova
direção
. Uma delas foi a de
desafiar
a
idéia
do HIV e
assim
por
diante
.
Eu
sentia que seria
um
irresponsável
se soubesse o
que
sabíamos e
não
divulgássemos isso para as pessoas."
Bud
Weiss: "
Nós
falamos
para
as
pessoas
sobre
desintoxicar
o
corpo
já
que
isto
o
ajuda
a se
libertar
de
parasitas
de uma
forma
segura
e
substituir
as antimicrotoxinas,
antibacterianos
, antifungais e
antiinflamatórios
por
substâncias
provenientes de
ervas
como
alho
, babosas e
vitaminas
. Recomendávamos o
uso
de
sucos
verdes
para
limpar
o
sangue
.
Michael:
Medicina
chinesa",
medicina
de Ayurvedic... "
Bud
Weiss: "Herbert Benson, o
cabeça
do
grupo
da
mente
/
corpo
de Harvard,
em
seu
livro
“
Cura
Infinita
”, fez uma
revisão
das
pesquisas
sobre
cura
e concluiu
que
70% de todas as
curas
são
mentais
. Na
verdade
tratam-se de
sistemas
de
convicções
,
com
atitudes
espirituais
que
funcionam
como
algo
extremamente
poderoso
. E
com
a
AIDS
,
até
mesmo
mais
do
que
com
o
câncer
,
você
encontra
muitas
pessoas
cujas
vidas
não
fazem o
menor
sentido
.
Quando
eles
recebem
um
diagnóstico
de HIV+, encontram uma
condição
perfeita
.
Eu
continuo vendo
isso
durante
todo
o
tempo
:
agora
há
algo
que
faz
com
que
eles
se sintam autorizados a se tornarem
mártires
".
Ian:
"E o
sistema
da
AIDS
reforça
esse
sistema
de
crenças
porque
, uma
vez
que você se
torna
HIV+,
todos
os
tipos
de ajuda chegam até você.
Você
recebe boas-vindas, comiseração e parece, fica de
acordo
com
a
comunidade
,
ou
,
pelo
menos
, com uma determinada comunidade.
Você
ouve muitas e muitas
vezes
, aquela
frase
: “
Eu
nunca
soube o
quanto
eu
era
amado
até
eu
pegar
AIDS
. "
Bud
Weiss: "É
um
culto
de
morte
que
dá
sustentação
à
indústria
farmacêutica
que
,
por
sua
vez
,
não
é
toda
constituída de
pessoas
más. Na
verdade
eles
estão fechados numa
forma
de
pensar
onde
julgam
que
ajudam as
pessoas
,
cada
vez
mais
pessoas
e
pessoas
pobres
a chegarem à
morte
.
Só
isso
!
Michael:
"A América tem
um
culto
à
juventude
. Na
cultura
gay
observa-se
que
você
não
encontra
um
modelo
para
as
pessoas
gays
mais
velhas. E
eu
ouvi
dúzias
e
dúzias
de
pessoas
falarem
que
não
havia
nada
mais
patético
do
que
uma
bicha
velha
e
sozinha
. E as
pessoas
estavam
plenamente
de
acordo
com
aquelas
imagens
de
um
tipo
de
pessoa
solitária
e isolada,
um
homem
velho
,
sozinho
e deprimido.
Assim
há
um
preconceito
muito
forte
contra
o envelhecimento.
Eu
comecei a
pensar
se
para
algumas
pessoas
a
AIDS
não
seria uma
solução
,
algo
que
as ajudasse a
evitar
os
dramas
desencadeados
por
essa
condição
.
"
Quando
tudo
isso
começou,
eu
não
tive
nenhum
pensamento
direto
sobre
os
homossexuais
e os não-homossexuais.
Eu
era
uma
criança
dos
anos
60 e estava
sexualmente
aberto
e de
bem
com
a
vida
.
Agora
, na
medida
em
que
estou fazendo
esse
trabalho
, as
pessoas
assumem
que
eu
sou
um
homem
gay
com
AIDS
e,
assim
,
eu
tive
que
me
confrontar
com
o
que
eu
sentia e
não
percebia.
Eu
sentia
vergonha
de
ser
um
homossexual
!
Só
pude
perceber
isso
pelo
modo
como
fui
tratado
pelas
pessoas
.
Porque
até
então
,
eu
não
tinha
a
menor
noção
de
como
as
pessoas
nos
tratavam.
Eu
nunca
tinha
estado
sujeito
ao
ódio
dos anti-homossexuais.
Eu
nunca
imaginei
que
existisse
algo
assim
.
Agora
, de
repente
, as
pessoas
estavam
me
tratando
assim
.
Eu
achei
que
não
estava envergonhado
porque
alguém
pensou
que
eu
era
gay
,
mas
, na
verdade
,
eu
estava envergonhado
pelo
jeito
com
que
as
pessoas
tratavam umas as outras.
Quão
ameaçadores
eles
eram.
Era
até
pior
se
eles
pensassem
que
você
tinha
AIDS
.
Até
mesmo
profissionais
de
saúde
estavam assustados.
Ninguém
,
por
mais
competência
que
tenha, pode
descrever
o
sentimento
causado
pela
discriminação
;
você
só
saberá se tiver a
oportunidade
de
experimentar
. Ironicamente,
por
outro
lado
, as
pessoas
próximas estavam comentando
que
eu
era
a
revelação
de
um
tipo
de
homossexual
que
odeia
homossexuais
só
porque
eu
não
queria
tomar
AZT. Nesse
sentido
,
elas
achavam
que
eu
queria
que
todos
os
homossexuais
morressem!
Bem
, os
que
tomaram morreram.
Eu
estou
aqui
!"
Bud
Weiss: "Robert Bly,
em
seu
livro
“A
Sociedade
do
Irmão
”,
fala
sobre
a
real
perda
de
conexão
entre
os
pais
e
filhos
, e
mães
e filhas, e
entre
os avós e
netos
. E,
muito
do
movimento
gay
, é uma
tentativa
de
recuperar
essa
ligação
e
retomar
a
dedicação
de
um
indivíduo
pelo
outro
.
Mas
não
há nenhuma
cultura
para
apoiar
a re-conexão. E
assim
, os
homossexuais
estão
tão
desiludidos
que
não
estão conseguindo
achar
um
sentido
para
suas
vidas
. A
fantasia
de uma
família
é
outra
questão
que
está envolvida na
criação
de uma
comunidade
. Há
um
desespero
porque
as
coisas
não
funcionam nesse
sentido
.
Você
realmente
tenta
,
você
arrisca
tudo
,
você
sai do
armário
,
mas
, o
que
você
quer
e
precisa
não
está
disponível
. E
quando
uma
doença
é apresentada, essa é a
escapatória
. As
paradas
gays
são
tentativas
de
criar
uma
comunidade
.
Durante
o
Dia
do
Orgulho
Gay
, a
comunidade
é
criada
instantaneamente e
lá
encontra-se
um
sentimento
de
pertencer
a uma
família
, uma
grande
família
,
que
se desfaz no
dia
seguinte
."
Michael:
"
Eu
também
comecei a
estudar
o AZT e
me
ocorreu
que
o AZT
poderia
ser
o
causador
da
pneumonia
,
por
pneumocystis.
Isso
me
lembrou da
experiência
de
profilaxia
contra
a
sífilis
nas
saunas
;
ela
parecia
funcionar
porque
mascarava os
sintomas
da
sífilis
.
Assim
as
pessoas
não
estavam atentas às
suas
infecções
porque
os
antibióticos
as mascaravam.
Eu
pensei
que
algo
semelhante
poderia
estar
acontecendo
com
as
pessoas
que
tomavam Bactrim e AZT. Parecia
que
os
remédios
estavam ajudando,
mas
, na
verdade
,
só
estava mascarando
um
processo
de
degeneração
. Michael Callen acreditou na
profilaxia
mas
não
observou
que
os
demais
pacientes
de
seu
médico
, estavam
todos
mortos
.
Assim
eu
pensei:
Ou
o
tratamento
do
médico
é
especial
ou
o Michael é
um
desses seres-
humanos
incomuns
que
podem
tolerar
qualquer
tipo
de
tratamento
?
Ele
odiou
isso
."
Quando
discutíamos
como
o
poder
das
convicções
pode
afetar
as
pessoas
, o Michael falou
sobre
o
papel
da "
lógica
de
transe
"
em
hipnose
e na
sugestão
pós-hipnótica.
Michael:
"
Em
demonstrações
de
hipnose
as
pessoas
comerão uma
cebola
acreditando
ser
uma
maçã
e experimentarão a
cebola
como
uma
maçã
.
Quando
você
tira
as
pessoas
do
transe
,
em
quase
todos
os
casos
,
elas
insistem
que
não
foram hipnotizadas e ficam chocadas ao verem
suas
ações
nos
filmes
.
Um
hipnotista fez uma simulação
que
recebeu o
nome
de Moontalk (
língua
da
lua
).
Ele
hipnotizou
três
pessoas
muito
depressa
e contou
para
a
primeira
delas
que
ela
seria
um
emissário
que
tinha
vindo da
Lua
e,
portanto
,
só
poderia
falar
o Moontalk (
linguagem
nativa
). O
segundo
hipnotizado, recebeu a
instrução
de
que
ele
seria a
única
pessoa
aqui
na
Terra
que
poderia
interpretar
o Moontalk, e ao
terceiro
indivíduo
, foi sugerido
que
ele
seria
cético
,
mas
,
elegante
.
Assim
a
primeira
pessoa
começa
a
falar
um
monte
de
bobagens
numa
língua
que
ninguém
conhece. A
segunda
pessoa
traduz elaboradamente o
que
ouve e a
terceira
pessoa
balança
sua
cabeça
de
forma
desaprovadora.
Depois
,
quando
são
questionados
sobre
como
eles
poderiam
falar
Moontalk, dizem
que
estudaram a
língua
na
escola
ou
que
a aprenderam
com
suas
famílias
na
lua
ou
que
lá
,
todo
mundo
fala
Moontalk na
televisão
. Foi
assim
que
eu
comecei a
ver
exemplos
de
lógica
de
transe
,
que
se aplica à
AIDS
.
"Estas
são
partes
de uma
alucinação
. E há
dois
tipos
de
alucinações
:
alucinações
positivas,
onde
você
vê
coisas
que
não
estão
lá
e as
alucinações
negativas
,
mais
perigosas,
onde
você
não
vê
coisas
que
estão
bem
à
sua
frente
. E
eu
notei
que
para
muitas das
pessoas
para
quem
eu
estava mostrando as
evidências
(
evidência
que
o HIV
não
causa
a
AIDS
,
por
exemplo
)
não
podiam
ver
o
que
eu
estava
lhes
mostrando.
Então
foi ai
que
eu
reconheci a
lógica
do
transe
. Muitas delas foram hipnotizadas! E as
pessoas
podem
ser
muito
imaginativas e criativas na
sua
lógica
de
transe
.
Ian:
"
Quando
você
tenta
discutir
essas
informação
com
as
pessoas
e
elas
fazem
que
não
vêem
ou
fingem
que
as
conclusões
que
você
tirou
sobre
os
fatos
,
não
estão
lá
,
bem
na
frente
delas.
Eles
haviam sido programadas
para
não
verem estas
coisas
? "
Michael:
"A
resposta
mais
comum
,
aparentemente
, tem a
ver
com
o New York
Times
!
Eu
pergunto
para
as
pessoas
: “ O
que
levaria
você
a
prestar
atenção
no
que
estou dizendo?
Então
,
eles
respondem: Se tivesse sido publicado no New York
Times
.
Assim
eu
comecei a
escrever
cartas
ao
Times
, chamando a
atenção
deles
para
a afirmação
falsa
de
que
a
AIDS
é uma
doença
sempre
fatal
. Provavelmente sou
tão
vulnerável
sobre
minhas
convicções
e devo
ter
sido enganado
por
eles
em
muitas outras
áreas
de
minha
vida
. Há
bem
pouco
tempo
tive a
sorte
de
presenciar
algo
.
Eu
tive uma
sacada
. Winston Churchill dizia
que
era
muito
comum
que
as
pessoas
tropecem muitas
vezes
nas mesmas
verdades
.
Isso
ocorre uma
infinidade
de
vezes
durante
sua
vida
,
mas
,
elas
continuam
seu
caminho
sem
reconhecê-las. No
meu
caso
,
eu
percebi
que
estava numa
situação
onde
eu
tropeçava na
verdade
.
Eu
estava no
lugar
certo
e no
momento
certo
. E
eu
não
podia
ignorar
o
fato
porque
se o fizesse, perderia todas as
chances
de
fazer
algo
a
respeito
disso.
"Casper
Schmidt predisse
que
a
AIDS
terminaria ao
redor
de 1997,
mas
,
que
a
doença
estava sendo “remixada”
artificialmente
e
que
havia uma
grande
manipulação
rolando
por
trás
de
tudo
aquilo
.
Mas
você
sabe, às
vezes
uma
pessoa
diz : Percebi
esse
negócio
e botei os
diabos
para
correr
, e
agora
,
eu
me
encarrego de
minha
vida
e de
minha
saúde
.
Eu
despedí
meu
médico
e
me
tornei
responsável
por
mim
.' E
esse
pode
ser
um
elemento
perigoso
."
Ian:
"
Em
algum
lugar
a
luz
vai
brilhar
.
Poderia
brilhar
e
iluminar
a
paisagem
e
assim
,
você
pode
passar
a
ver
as
coisas
pela
primeira
vez
.
Então
se
você
ainda
está
vivo
,
tudo
o
que
você
pode
fazer
é
pegar
as
coisas
que
viu."
Michael:
"E a
hipnose
realmente
é a
arte
de
virar
as
coisas
, a
arte
da
linguagem
".
Ian:
"O
que
você
tem a
dizer
sobre
as
pessoas
que
se recuperam? "
Michael:
Há muitas
histórias
boas.
Mas
sempre
que
as
pessoas
recuperam
sua
saúde
,
elas
desaparecem.
Alguns
voltam
ocasionalmente
.
Mas
o
problema
é
que
,
todo
mundo
em
volta
delas, fica de
sanguessugas
sobre
elas
. Quantas
evacuações
intestinais
você
teve naquele
dia
? O
que
você
come?
Eles
acabam desenvolvendo
pequenos
grupos
que
não
estão de
acordo
com
o
doente
. Nessa de
preocupação
,
elas
atrapalham.
Outros
recuperam a
saúde
e voltam
para
a
farra
.
Eu
noto
que
algumas
pessoas
que
eu
admirei
por
muitos
anos
, e
que
se encarregaram de
suas
vidas
,
que
deixaram de
ficar
obcecadas
com
suas
células
T,
que
não
tiveram
nenhum
desafio
de
saúde
e
que
poderiam
dizer
a
você
porque
o HIV
não
causa
a
AIDS
, fizeram
um
teste
ELISA, foram sugestionadas e acabaram introduzidas na
carga
viral
,
nos
inibidores
de protease, e deixaram de
vir
à HEAL. Uma
mulher
me
disse: “é
mais
fácil
de
levar
o
remédio
do
que
ficar
brigando
com
meu
médico
.”
Bud
Weiss: "As
pessoas
que
sofrem a
pressão
do
horror
, mobilizam-se
para
sobreviver
.
Mas
a
sobrevivência
não
é o
bastante
. É
só
o
primeiro
passo
.
Você
tem
que
sair
fora
de
si
e
estar
interessado na
sua
comunidade
. É
por
isso
que
as
organizações
não
funcionam.
Elas
só
estão querendo a
sobrevivência
,
sobreviver
sem
saber
por
que
!
Elas
matarão
para
sobreviver
."
Michael:
"
Para
mim
, uma
crise
significa
um
momento
realmente
decisivo
na
vida
de
alguém
. Representa uma
oportunidade
para
o engrandecimento.
Assim
eu
comecei a
dizer
,
este
não
é o
ponto
de
retorno
, é
um
momento
decisivo
. A HEAL é experimental. Se
algo
não
funcionar,
nós
mudamos.
Eu
não
quero
seguidores
.
Em
todos
os
outros
grupos
você
vê
horas
e
horas
dedicadas à lealdade aos
mestres
.
Para
mim
,
isso
é
um
insulto
. Se as
pessoas
saem
por
ai dizendo: O Michael falou..., elas
não
estão entendendo o essencial, para dizer a verdade, não estão entendo
nada.
Esse
tipo
de
gente
eu
quero
longe
,
eu
posso
sair
e
dizer
o
que
penso
por
minha
própria
conta
."
Quando
eu
deixei o Michael e Bud, pensei numa
história
que
o Michael
tinha
me
contado. Os
membros
da HEAL estavam compartilhando
informação
sobre
como
curar
as
lesões
de KS.
Alguns
usavam
cartilagem
de
tubarão
, alguma
vitamina
C,
preparações
de
gel
de
babosa
e
outros
usavam a
terapia
de
urina
.
Muitos
deles punham um
band-aid
nas
suas
lesões
para
proteger
as
aplicações
que
haviam
feito
.
Também
havia
um
cara
que
havia usado
um
band-aid
mas
não
havia utilizado
nenhum
medicamento
. A
lesão
dele desapareceu da
mesma
forma
que
a dos outros! '. Seria o
poder
da
sugestão
,
um
efeito
placebo
notório
?
Quais
são, então, os
limites
do
incrível
poder
da
mente
?
Michael
Ellner's book Quantum
Focus, on creative healing and states of excellence, is available through
HEAL, PO Box 1103, Old Chelsea Station, New York, NY 1103.
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