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“Um
povo ignorante é o instrumento cego de sua própria destruição”
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A TV Globo e
sua história secreta
Por José
Lucas Alves Filho
As reais
motivações que a Globo teve, e tem agora, depois das
eleições, com uma inusitada e inesperada aproximação do
Governo Lula. Uma reflexão sobre o papel da emissora na
implantação do poder do capital especulativo sobre o produtivo
no Brasil.
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Recebi,
com alegria, algumas observações competentes do amigo Giovano de
Oliveira Cardoso, leitor da Novae, a respeito de meu artigo
publicado nesta Revista em 28 de outubro, sobre o resultado das
eleições, o qual lembrou algumas razões da neutralidade da Rede Globo
no recente processo eleitoral brasileiro.
Apropriadamente lembrava o amigo Giovano dos interesses conflitantes entre
a rede Globo e o Grupo Silvio Santos, em diferentes âmbitos de uma mesma
disputa. A aproximação do Gugu Liberato do candidato Serra, enquanto
negociava a aquisição de um canal de televisão no Mato Grosso, e que
já lhe havia sido concedido o direito de compra, fora dos prazos legais
que são admitidos nos contratos de concessão, seria um dos motivos para
essa disputa.
Outros motivos, que também podem ser visualizados no estreito contato do
Governador de São Paulo ao próprio Silvio Santos, em evidente
envolvimento por ocasião de seu seqüestro, em nebuloso episodio que
incluiu o assassinato do seqüestrador na prisão, após ser admitido
publicamente sua salvaguarda e integridade física pelo próprio
Governador, em meio a fatos de apropriação do botim do seqüestro por
policiais que não ficaram devidamente esclarecidos.
E ainda o pleito da Globo junto ao BNDES, de um escandaloso credito de um
bilhão de reais, no sentido de salvar do naufrágio econômico os
erros cometidos pela administração incompetente de um canal de TV por
assinaturas dessa Rede, e vergonhoso, se comparamos o volume de crédito
aos recursos de 400 milhões negados pelo Governo ao desenvolvimento de
toda uma região, no caso o nordeste brasileiro, através da SUDENE, que
foi fechada, para evitar que se averiguassem denuncias de corrupção em
projetos financiados pelo órgão.
O amigo Giovano lembra ainda, com propriedade, o temor da Globo pela
aprovação da lei que permite a participação de empresas estrangeiras
em até 90% do capital social das emissoras nacionais, o que daria ensejo
as redes norte-americanas para assediar a Globo, como maior canal
brasileiro, e tentar assumir seu controle, dentro de uma política de
lançamento da ALCA em nosso pais e de avanço dos produtos
norte-americanos em substituição aos nacionais em nosso mercado interno.
Acredito que esses temas devam ser tópicos de reflexão ponderada de
pesquisadores e intelectuais militantes, que se interessem por esclarecer
as reais motivações que a Globo teve, e tem agora, depois das
eleições, com uma inusitada e inesperada aproximação do Governo Lula.
E, para colocar mais um pouco de lenha na fogueira, transcrevo um
fragmento de meu livro Capitalismo Autoritário, ainda não publicado,
onde abordo, em determinado momento o papel das comunicações, em
especial da Rede Globo, para a implantação do poder do capital
especulativo sobre o produtivo no Brasil.
Do livro "Capitalismo Autoritário", ainda inédito:
Como veremos adiante,
não se trata aqui somente dos recursos tecnológicos e materiais
indispensáveis para o suporte técnico do Capitalismo Autoritário, mas
da função adquirida pelos mesmos na estratégia montada para a
condução desse Capitalismo, em suas bases ideológicas e econômicas que
exercerão o poder de fato na nova Sociedade Capitalista.
Uma citação do diretor-presidente da TV Globo, em 1966, respondendo à
Comissão Parlamentar de Inquérito (já se fazia isto, naquela época)
que investigou as ligações entre a Globo e o grupo Time-Life (ligações
espúrias, conforme veremos) é muito elucidativa para se entender a
importância do sistema de comunicações no novo cenário nacional:
"As empresas jornalísticas sofreram, mais talvez do que quaisquer
outras, certas injunções, como depressões políticas, acontecimentos
militares. Os prognósticos que estamos fazendo na TV Globo dependem muito
da normalidade... da tranqüilidade da vida brasileira. Esses planos podem
ser profundamente alterados, se houver um imprevisto qualquer ou advir uma
situação que não esteja dentro dos esquemas traçados, como se vê nas
operações de guerra."
Esta era uma citação que fazia ver o papel que a rede Globo planejava,
junto com o grupo Time-Life no futuro imediato do Brasil. O acusador, por
outro lado, coincidentemente representante da rede de televisão já
existente e líder das comunicações na época (os Diários Associados,
proprietários da Rede Tupi), esclarecia à mesma CPI: "E esta é uma
guerra - não é uma guerra quente, mas um episódio da guerra fria.
Entretanto, se perdermos neste episódio, o Brasil deixará de ser um
país independente para virar uma colônia, um protetorado. É muito mais
fácil, muito mais cômodo e muito mais barato, não exige derramamento de
sangue, controlar a opinião pública através dos seus órgãos de
divulgação, do que construir bases militares ou financiar tropas de
ocupação".
Feitas estas considerações, passemos a analisar a montagem do sistema de
comunicações durante o período da ditadura militar, que é um ponto
importante para compreender a função desse sistema como parte do Capitalismo
Autoritário.
A legislação que orienta as concessões de rádio e televisão foi
estabelecida logo após o Golpe Militar de 1 de abril de 1964 e
conservou-se inalterável até a Constituição de 1988, que apenas
confirmou as normas já existentes e somente agora pretende ser alterada,
para pior, é claro, dando permissão às empresas estrangeiras
participarem do capital da radiodifusão brasileira.
Ela atribui ao presidente da República poder absoluto sobre as
concessões, que não dependem em nenhum momento de pareceres técnicos,
considerando-se, desta forma, apenas os prêmios políticos que o
presidente utiliza como barganha para conquistar os votos dos deputados e
senadores no Parlamento.
No apagar das luzes da ditadura, já no governo Figueiredo, foram feitas
700 concessões de rádio e televisão, que representou na época mais de
um terço do total das emissoras inauguradas desde o surgimento da
radiodifusão no país. (FSP, 14 mar. 1985).
O serviço de radiodifusão no Brasil é mantido sob estrito padrão
privado comercial, sem a preocupação da transmissão e defesa da cultura
nacional, exceção feita à Rede Universitária -TV Cultura que sobrevive
com parcas verbas e de qualidade técnica inferior frente às concorrentes
comerciais.
As concessões são feitas sem o cuidado de análise mercadológica e,
distribuídas como brindes, dentro da mentalidade cartorial do governo
federal. Elas são freqüentemente superpostas e tem sua abrangência
geográfica aumentada arbitrariamente.
Dois são os tipos de concessão: a controlada pelas grandes redes de
rádio e televisão e as presenteadas aos apaziguados do Poder. Servem,
assim, para contemplar diretamente o poder econômico e o poder político,
sem visar em nenhum momento o interesse público. A rede Globo sozinha
detém 40% do mercado publicitário das emissoras de televisão,
dominando, desta forma, o mercado em sua totalidade, e em completa
abrangência do território nacional.
Na história da rede Globo existe o obscuro acordo com o grupo Time-Life,
norte-americano, que financiou, equipou, planejou, treinou o pessoal e deu
assistência técnica durante mais de dez anos, até sua autonomia
técnica e comercial; este acordo, como vimos a pouco, foi motivo,
inclusive de uma CPI para investigar as suas conseqüências
monopolizadoras do mercado do país, logo no início da ditadura militar,
quando esta ainda se preocupava em dar alguma função aos deputados e
senadores, e mesmo que, como todas, terminasse em pizza.
Conforme o livro "História Secreta da Rede Globo - Ed. Tchê! Porto
Alegre ", (p.71) o autor afirma que "Controlando as entidades
representativas das emissoras de radiodifusão, o sistema Globo faz
predominar seus interesses e neutraliza as manifestações das pequenas e
médias empresas que são sufocadas pela concorrência dos
oligopólios". E, em seguida: "Com a Nova República, a Globo
teve seu poder fortalecido".
Visto está que, após a ditadura, o sistema de comunicações brasileiro,
capitaneado pela rede Globo, manteve-se intacto e até fortalecido, dentro
dos padrões ideológicos definidos pelo grupo Time-Life na década de
sessenta, em plena guerra fria. E, pela importância e destaque que a
Globo continua ocupando na mídia nacional, é evidente que este processo
continuou a se fortalecer durante os últimos quinze anos.
Que a implantação da rede Globo no Brasil foi ilegal e fato criminoso é
assunto já discutido e conhecido por uma grande parte da população
pensante do país, mas entender que este fato faz parte de um contexto
econômico e político-social configurado na "globalização"
das comunicações e que é o grande orientador ideológico do Capitalismo
Autoritário, isto é que é preciso analisar e definir claramente.
Com isso estaremos dando argumentos para que os setores que ainda resistem
aos avanços do Capitalismo
Autoritário possam ser "sacudidos" em seus brios éticos e
de compromisso com a nação, e passem a defender o direito das maiorias
de impor seus interesses nos sistemas de comunicação de massa.
Os jornais, censurados, dirigiram as notícias segundo os interesses da
ditadura, que coincidiam com os Estados Unidos. Foi a era do "o que
é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". A subserviência
aos americanos passou a ser completa, e assim continua até os dias
atuais.
Mas a grande vedete das comunicações já era a televisão. Inaugurada em
1950, teve um caminho ascendente muito lento, que durou toda a década de
cinqüenta. Só na década de sessenta é que começou a espalhar suas
antenas e repetidoras por todo o país, tornando-se o maior veículo de
comunicação e transmissão ideológica a partir de então.
O grupo Time-Life, da direita conservadora norte-americana tentou
associar-se ao "Estado de São Paulo" mas os seus
proprietários, ou não entenderam bem o significado da proposta, o
alcance histórico que ela teria na formação da consciência nacional
nas décadas seguintes, ou eram pretensiosos demais para dividirem o poder
da mídia que detinham, mesmo que fosse com os norte-americanos.
O fato é que o grupo Time-Life acabou associando-se com o jornal O Globo,
do Rio de Janeiro, reconhecido como a cabeça da reação, do
conservadorismo e do entreguismo no Brasil. O contrato assinado entre
Roberto Marinho e o grupo Time-Life o foi em 1962, mas a primeira emissora
só começou a funcionar em 1965, depois do Golpe Militar. Até então já
haviam sido assinados vários acordos de cooperação entre ambos os
sócios, chegando os dólares americanos em profusão, para a importante
missão.
Tão importante que, em outubro de 1964, na "Conferência sobre o
Desenvolvimento Latino-americano", promovida pelo Hudson
Institute foram expostos com clareza, pelo comparsa de Roberto Marinho no
projeto da rede Globo, Weston C. Pullen Jr., Presidente do Time-Life
Broadcasting Inc., os desígnios norte-americanos com as associações na
mídia televisiva que se processavam entre os Estados Unidos e os países
da América Latina, que aqui reproduzimos, e que está citada na obra
acima mencionada "História Secreta da Rede Globo - Ed. Tchê! Porto
Alegre (p. 125/126)":
"Passando em revista sua experiência em TV na Europa, Oriente Médio
e América Latina, o Sr. Pullen afirmou que ele está operando na
Venezuela, no Brasil, na Argentina e possivelmente entrará em nova
operação na Colômbia. (...) A NBC, a CBS e a ABC, estão todas ativas
nessas áreas e todas têm, como o Time, uma fórmula comercial que tende
a incluir as seguintes características:
1. O grupo norte-americano necessariamente tem posição
minoritária, em termos de oportunidade de investimentos, devido às leis
dos respectivos países sobre telecomunicações.
2. Em todos os casos é indispensável ter sócios locais, o que é
importante; e eles têm provado ser dignos de confiança.
3. A programação das estações é uma tarefa conjunta norte e
latino-americana.
4. A política adotada mostra que a TV educativa diurna é
importante para o êxito comercial e poderosamente eficaz e popular,
quando tentada. O Sr. Pullen considera que o governo norte-americano pode
e deve interessar-se por esse tipo de expansão por parte de grupos
norte-americanos como um meio de atingir o povo. E apesar dos problemas
que surgem, a TV se tornará para todo latino-americano, tal qual como
para todo norte-americano (sic) em futuro bem próximo."
A estratégia, portanto, estava muito clara: tratava-se de apoderar-se dos
meios de comunicação mais importantes dos países-chaves da América
Latina - Brasil, Argentina, Venezuela e Colômbia, da mesma maneira como o
mesmo Sr. Pullen vinha fazendo na Europa e no Oriente Médio, e a
intenção, óbvia, era a de influir decisivamente na formação da
consciência das gerações que formariam o novo mundo do terceiro
milênio, que os Estados Unidos desejavam, estivessem sob seu controle.
E, para garantir a completa estruturação do sistema de dominação
ideológica através da mídia televisiva, o senhor Pullen ficou
governando a Globo durante treze anos: desde o contrato inicial, em 1962,
até o final do contrato de "assistência técnica", em 1975.
Aqui é preciso verificar que o conceito básico da formação da
consciência, que seria o objeto da programação, do conteúdo dessa
programação, apresentado através das novelas e programas de auditório,
procurava, além de alienar o povo brasileiro, quebrar também a sua
auto-estima como Nação, única forma de se dominar sem precisar armas,
nem bases militares que servissem à ocupação pelos norte-americanos.
As medidas eram mais simples: da mesma forma como o americano é
auto-endeusado, através da metáfora do super-homem, ou seja, a
capacidade que qualquer indivíduo isolado nascido nos Estados Unidos tem
de resolver qualquer tipo de problema, situação ou risco, o que é
mostrado sistematicamente na filmografia americana, principalmente, mas
nas demais produções que se fabricam naquele país, com o intuito de
elevar a auto-estima desse povo, e leva-lo a considerar-se superior aos
demais, a estratégia da Time-Life e do governo norte-americano em
relação ao povo brasileiro era justamente a oposta: mostrar as mazelas
do povo, as dificuldades sem solução, a incapacidade, a corrupção e o
conformismo como base do espírito brasileiro, utilizando-se para isto,
principalmente, das novelas da televisão e dos programas "bandeira
dois" nas rádios locais.
Nas novelas são mostrados o tempo todo as fraquezas dos personagens, a
complacência e a traição permanente e geral. A vulgaridade das classes
médias urbanas, nos bairros pobres cariocas, em contraste com a
exuberância e extravagância das classes médias da Zona Sul. A
caricatura do povo nordestino, apresentado como sub-nação, e
ridicularizado em suas maneiras e modo de vida. É, evidentemente uma
imagem falsa, mas, que de tanto ser repetida durante décadas pela rede
nacional da Globo, acabou por ser aceita como verdade, quebrando a
auto-estima desse povo, que se ridiculariza a si próprio, e ri de si
mesmo com as humilhantes alegorias feitas aos pobres por "Caco
Antibes" no programa "Sai de baixo" dos domingos globais.
A questão da TV educativa diurna também ficou bem colocada e explícita,
segundo o ponto 4 acima, e se tornou mais recentemente uma tarefa
sistemática, com os programas de ensino supletivo, dirigidos pela Rede
Globo, assumindo a função do Estado e por ele reconhecido oficialmente,
assim como os novos meios de ensino à distância, a tele-escola, com
programas de desenvolvimento escolar através de tele-salas, o ensino
técnico, empresarial ("Pequenas Empresas Grandes Negócios"),
etc.
Antes que aconteça a expansão da tele-educação a níveis mais
abrangentes, a Rede Globo se antecipou no controle desse nicho formador de
consciência, assumindo essa tarefa, imprescindível para a manutenção
do seu domínio, da ideologia norte-americana imperialista e do Capitalismo
Autoritário que se estabeleceu.
Ou seja, a Globo assume a orientação da educação, cria e financia os
sistemas de divulgação, estabelece a programação e é reconhecida em
todos os seus atos pelo Ministério da Educação. Fecha-se o círculo, e
a formação da Consciência Nacional fica entregue aos objetivos da Rede
Globo e de sua integração com o pensamento e ideologia norte-americana.
Hoje, a Rede Globo absorve metade da audiência televisiva e setenta e
cinco por cento das verbas gastas com publicidade, segundo abalizada
opinião do jornalista Paulo Henrique Amorim. É evidente, assim, o
domínio total deste meio de comunicação sobre a formação da
consciência do povo brasileiro, capaz de eleger presidentes e determinar
o curso de nossa história, como era o objetivo central da Ditadura
Militar e do Governo Norte-americano, mancomunados para a derrota
histórica da Nação Brasileira em 1964, quando lançaram os esteios
sobre os quais se ergueria o Capitalismo
Autoritário.
À mesma época se instalaram no Brasil dois outros grupos editoriais
importantes: o grupo Visão, com matriz em Nova York, cujas publicações
eram dirigidas à orientação da classe empresarial, assim como a editora
Mc Graw Hill, que destinava suas publicações técnicas ao meio
empresarial e que depois se associou ao grupo Visão. Além desses, o
grupo Civita, da Editora Abril, também começou suas atividades, com
dezenove revistas, o mesmo número que, na mesma época, começava a
publicar na Argentina e no México. Victor Civita, seu presidente,
italiano de nascimento, mas naturalizado norte-americano, havia sido
empregado do grupo Time-Life e veio para a América do Sul com seu irmão,
ele ficando no Brasil e o irmão indo para Argentina.
Assim, ficou formado o
quadro de propriedade dos meios de comunicação brasileiros e
latino-americanos, onde o grupo Time-Life aparecia como maior parceiro,
ditando os investimentos financeiros, tanto na televisão, como no rádio
e nas revistas. Mesmo alguns jornais, como O Globo, especialmente, já
eram porta-vozes das posições norte-americanas pela afinidade
ideológica que possuía e ainda possui com este país.
Evidentemente, a
estratégia foi coroada de êxito, pois, nas décadas seguintes:
1. O Brasil passou a
receber a influência cultural apenas dos Estados Unidos.
2. Foi estimulado o desenvolvimento de uma sub-cultura semelhante à
norte-americana que dominou a consciência das massas.
3. A filmografia mostrada na Televisão concentrou-se na violência e no
culto ao super-homem americano, que tudo resolve sozinho, seja ele homem,
velho, moço, mulher ou criança, desprezando os esforços coletivos e o
trabalho social.
4. Ao contrário do que ocorria nos Estados Unidos, nos países
periféricos, como o Brasil, tentava-se quebrar a auto-estima desses
povos, para permitir a dominação e a alienação a partir dos países
centrais, Estados Unidos em primeiro lugar.
5. A mediocridade tomou conta das programações das estações (decidida
em conjunto, "entre americanos e brasileiros", segundo o Sr.
Pullen).
6. A alienação cultural passou a ser a característica das novas
gerações, contribuindo para o abandono do espírito crítico que ainda
sobrevivia na "geração de 68".
7. Os assuntos a serem ventilados e discutidos na Televisão passaram a
ser os assuntos que interessavam aos norte-americanos e não aos
brasileiros.
8. A metodologia educacional divulgada através da TV passou a privilegiar
os resumos, as visões gerais, sem contribuir para a formação de
conhecimentos sólidos, que levem ao pensamento crítico.
9. Surgiu, a partir da rede Globo, uma concentração desproporcional do
mercado da televisão em mãos de uma única rede.
10. A formação da Consciência integrada, seguindo a ideologia
norte-americana do Capitalismo
Autoritário foi entregue oficialmente nas mãos da Rede Globo, com a
parceria entre a Fundação Roberto Marinho e o Ministério da Educação.
11.2002
José
Lucas Alves Filho - Economista pernambucano, formado na Faculdade
de Ciências Econômicas de Montevideo. É professor de Metodologia
Dialética em cursos de 'pós-graduação' nas universidades de
Pernambuco, Consultor de Empresas, escritor e dramaturgo, entre outras
atividades. Publicou trabalhos de economia como "Não à Teoria do
Subdesenvolvimento" (Kairós, SP, 1983); "S.O.S., Homem do
Campo"(Kairós, SP, 1984); "Capital Ilusão"(Ed. Coragem,
SP, 1986); "O Fim do Desemprego ou A Jornada de Seis Horas"(Ed.
do Autor, Recife, 1999); "A Cachorra Isaura (Romance, Ed. do Autor,
Recife, 2001), além de outras obras inéditas, como: "Metodologia
Científica - O Método Dialético";"Reforma Agrária em
Pernambuco";os Romances "Madalena Uchôa", "Para Onde
Vamos" e "O Castelo Destruído"; as peças teatrais "O
Direito à Preguiça", "Verso e Reverso da História de
Olinda", "Ëlogio da Loucura" e o Poema "Século
XXI".
Ilustração:
Cris Fernandes, produtora executiva
da Novae. http://www.crisfernandes.blogger.com.br
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